segunda-feira, janeiro 14, 2008

O poder do amanhã

Não existe nenhuma situação que não seja transformável. Não existe nenhuma pessoa que não tenha salvação. Não existe nenhum conjunto de circunstências que não possam ser alteradas por Seres Humanos comuns e pela sua capacidade natural de amar profundamente.
(Arcebispo Tutu)

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Às voltas com sonhos e pós de perlimpimpim!

Há coisas do arco-da-velha… não sei ao certo de onde remonta esta expressão, nem vou indagar, mas a verdade é que realmente há.

Não escrevo para o manifesto há mais de um ano, é curioso, assim num ano muda tudo e nada.

Como um amigo meu me dizia há alguns dias nos votos de Feliz Ano Novo que mude tudo para que se mantenha tudo na mesma. Bem, não era bem isso que ele dizia mas também nunca tive muito jeito para “reproduções”.

Mas, realmente ele há coisas do arco da velha, sabes quando falas numa pessoa que não vês há séculos e no minuto a seguir ela te liga, ou te lembras de um momento e toca no rádio a banda sonora do mesmo, ou te esbarras com lembranças menos agradáveis e lá volta o redemoinho de emoções, enfim, ele há coisas do arco-da-velha.

Há quem lhe chame destino, fado, acaso, matemática, probabilidade, etc, etc… Eu continuo com a minha, depois de um ano de convulsões no meio dos sonhos caídos e da falta de eficácia dos meus pós de perlimpimpim, realmente as curvas, cruzamentos, rectas, vales e planícies que os últimos meses foram, apenas me poderiam conduzir aqui, ao sítio das coisas que mudam e que estão sempre na mesma. Os sorrisos de alguns, os votos e esperanças dos mesmos, num ano novo e a minha novidade antiga, um sorriso acompanhado de um olhar de luar. Provavelmente nunca irás ler estas palavras, não chegarás a ouvir-me dizer-te isto, mas és o responsável por agora acreditar. Ele há coisas do arco-da-velha, as inesperadas, pouco poéticas, absolutamente curvilíneas, como se o argumentista se divertisse a ver-nos cair e a juntar quem cai para se levantar. Dizem que Deus nos fecha uma porta e nos abre uma janela, pensamos que não é assim quando não temos a chave da fechadura, mas depois, bem! Depois, e porque há coisas do arco-da-velha, percebemos que a porta era errada e talvez até a casa. Resta-nos a procura incessante, e melhor ainda, o acaso matemático do inesperado, e… para alguns, a certeza de uns olhos de luar pousados nos seus. Parecendo ser contraditório, o Universo ajusta-se sempre em puzzles mais acertados do que aqueles que o preconceituoso olho humano permite. Por isso, para ti que me viste e que vi sem olhar mas a sentir, aqui vai um poema, sejas ou não a janela, a porta ou a casa, talvez nunca o leias mas também já é teu,

Ó Véspera do Prodígio! – IV

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

(NATÁLIA CORREIA In, Poesia Completa)

sexta-feira, outubro 27, 2006

A Cientificidade das Coisas

Pronto... está decidido, vamos falar de Ciência Política! Ok já sei, JÁ SEI, tinha prometido a mim mesma que não o faria, mas contra factos não há argumentos, lá terá de ser. Vamos ver se deixo de ouvir as barbaridades com as quais os meus ouvidos pura e simplesmente rebentam.
Primeira lição, qualquer Disciplina, Área de Estudo ou Ciência só o é porque tem em si contidos fundamentos, teorias, aplicações, etc, próprios. Daí que POR FAVOR deixem de ser todos especialistas de coisas das quais não imaginam sequer 1/1000000000 só porque leram o último best-seller norteamericano dessa área.
Primeira nota a ajuntar a esta primeira lição, eu também não sou especialista, mas vou tentando não dizer barbaridades... já que eu, por exemplo, não sou médica não me vou pôr a fazer diagnósticos, pelo menos não seriamente. Então por favor poupem-me e evitem serem, por exemplo também, um médico e tentarem mandar umas bojardas, desculpem a expressão, de senso comum nada científico sobre, e agora encham a boca, a CIÊNCIA POLÍTICA.
Por isso aqui vai a primeira noção, são considerados elementos do Estado o Povo, o Território e o Poder Político, as suas formas podem divergir em termos de definição concreta. A este assunto voltaremos mais aprofundadamente um destes dias, com autores, obras, etc. Agora só para alguns cujas certezas estão enganadas o ELEITORADO NÃO É UM ELEMENTO CONSTITUTIVO DA REALIDADE ESTADO. Ou seja, pode haver Estado sem eleitores mas não sem Povo. Mais uma vez sublinho, não falem sem saber. Obrigada até à próxima.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Há quem nos guie!

«Lá fora, a noite estava semeada de milhões de estrelas, planetas, cometas, asteróides nos seus voos loucos, constelações de todos os tamanhos e das mais diferentes formas. Olhou por cima do ombro direito, pela vigia lateral, procurando absurdamente uma luz branca que julgava ter visto algures, mas não se lembrava quando, nem sequer era capaz de dizer se a tinha visto, de facto, ou se apenas a tinha imaginado em sonhos. E, mais uma vez, repetiu baixinho e para si própria a pergunta que tantas vezes fazia, quando estava assim sentada à noite na nave, e via o Universo inteiro à sua volta: `Haverá alguém por aí à escuta? Alguém que nos veja e que nos guie?´»
Miguel Sousa Tavares e Rui Sousa, O Planeta Branco


Para sonharem com as cores de Picasso...

ELOGIO DA INGENUIDADE OU AS DESVENTURAS DA ESPERTEZA SALOIA

«Le génie et l’enfance ont une admirable ressemblance: c’est la naïveté!»
«Les homes n’ont donc pas remarqué que le contraire de l’art c’est la ruse? Pour návoir pas encore fait cette remarque, il faut vraiment qu’ils soient bien vieux.»
ERNEST HELLO

Aquele que recorrer ao dicionário para que este lhe diga o que sabe sobre a palavra ingenuidade, talvez, como eu, fique surpreendido com o que consta acerca do significado e história da palavra ingénuo.
Tendo sido escrito o título da presente palestra antes da minha visita ao dicionário, não poderei deixar de reconhecer que apenas a intuição me levou a intitular desta maneira o que eu desejava esclarecer.
Ao escrever Elogio da Ingenuidade ou as Desventuras da Esperteza Saloia, a intuição não me faltou, mas devo dizer-lhes que o meu intuito nestas palavras era premeditado. Para melhor esclarecimento dos que ouvem passarei a contar-lhes lealmente o que pensava antes de encontrar o significado da palavra ingénuo e o que aprendi depois de o ter encontrado.
A minha primeira ideia, intuitiva e premeditada ao desejar fazer o elogio da ingenuidade, era o de entrar acto contínuo no terreno e atmosfera próprios da poesia, nesse único terreno e atmosfera onde a poesia, e por conseguinte os poetas não encontrarão nenhuma espécie de atritos para a sua voz e expressão.
Isto é, o elogio da ingenuidade, dirigia-se única e exclusivamente aos poetas e absolutamente a mais ninguém.
Só depois de conhecer o significado e história da palavra ingénuo é que francamente eu desejaria que aqueles que não são poetas, mas de qualquer maneira tratam com eles, ouvissem também estas palavras, para saberem em que altura vivem os poetas por cima do trato de quem quer que seja. Contudo, repito, o elogio da ingenuidade continua a referir-se única e exclusivamente aos poetas e absolutamente a mais ninguém. Na própria continuação do título, As Desventuras da Esperteza Saloia, estas desventuras e esta esperteza saloia são referentes ainda a desvantagem e prejuízos que apenas a poetas e absolutamente a mais ninguém dizem respeito.
Haverá talvez alguém que creia que estas desventuras e esta esperteza saloia se referem às deles; não. Dizemo-lo claramente, não é à esperteza saloia deles que nos referimos, não, é à dos poemas.
Por conseguinte, a vós poetas única e exclusivamente me dirijo, e aos outros, que nos escutem ou que se vão embora.
Antes de mais nada é necessário dizê-lo bem alto para que bem o oiça cada qual isoladamente: Não é o bastante frequentar os poetas ou a poesia para se ficar poeta. Não. Nós sabemos onde hão-de ir buscar simulado prestígio aqueles que não o saibam encontrar nos seus lugares pessoais, ou que não se satisfaçam com o que tenham encontrado. Não, a poesia não concorre com ninguém nem com nenhuma outra expressão da vida. Não concorre porque vive. Ou vive ou morre, não lhe cabe nunca a vez de concorrer.
Dentro da Poesia, cada poeta que se realiza é tão representante da Poesia como aquele que ainda vai longe de se realizar. Isto é, dentro da Poesia, cabem todos os valores, realizados e a realizar, desde o momento que sejam valores. A poesia nutre-se com os seus próprios valores, e não se adianta nem atrasa com amigos e inimigos da Poesia, nem com pseudo-concorrências entre valores, os quais concorrem entre si é precisamente porque não representam valores, inconfundíveis e inteiros.
Não há criatura humana que neste mundo não tenha nas suas reservas pessoais as probabilidades de realizar em si o próprio poeta; simplesmente, estas probabilidades são geralmente afogadas pelo próprio, único culpado da morte do seu poeta, morto por desgosto de o ver fazer coroas de louros que não são da sua propriedade legítima.
É tão fácil deixar morrer o poeta como substituí-lo por um filisteu.
Estas minhas palavras são para eu próprio provar aos que me ouvem que o assunto do Elogio da Ingenuidade ou as Desventuras da Esperteza Saloia não mete terceiros entre poetas. Tenho usado do meu melhor possível para que determinada gente deixe de ter ou fazer confusões com a minha pessoa, mas tendo-me sido inútil neste sentido todo o meu cuidado, hoje só tenho esperanças verdadeiras a este respeito na data do juízo Final. Entretanto, enquanto for vivo, eu continuo na minha, como não podi deixar de ser.
·
Até este momento falei-vos em Poesia e poetas e a alguém pode parecer estranho o emprego de tais palavras a propósito desta exposição de pintura e de escultura. Foi expressamente que, para este momento, preferi as palavras Poesia e poetas às que seriam indicadas para este lugar, Arte e artistas. Foi expressamente porque onde não haja afinal senão valores plásticos de pintura e de escultura, isto é, onde estejam ausentes as letras e as rimas, já ninguém possa encontrar poetas senão entre os que se serviram de cores ou da pedra. Se eu lhes chamasse artistas, corria o perigo de que os que me ouvem os pudessem confundir com os presentes pintores e o escultor e não vissem precisamente neles os poetas e o escultor e não vissem precisamente neles os poetas a que me desejo referir.
Neste meu elogio da ingenuidade, a pintura e a escultura estão ambas exactamente em terceiro lugar. Em segundo lugar estão os artistas que da pintura ou da escultura se serviram para expressar o que de Poesia desejam fundar em realidade.
Mas em primeiro lugar estão precisamente os poetas, esses que têm o dom de descobrir os próprios fundamentos da vida, e ainda antes mesmo que a vida tenha podido assentar na realidade.
Não é eventualmente hoje e neste lugar que eu ponho a poesia primeiro do que a Arte. A Poesia, livre de toda e qualquer arte, onde ainda ou já não se sinta a expressão da arte que a serviu, faz parte íntegra do recôndito mais puro da pessoa humana. A Arte é um estratagema para a Poesia.
Poderemos pôr em marcha todas as técnicas magistralmente, mas se se perde o contacto imediato com a Poesia, bem hão-de todos e cada qual esperar-lhe pela terrível volta!
·
Antes de ver no dicionário o significado da palavra ingénuo escrevi o título Elogio da Ingenuidade ou as Desventuras da Esperteza Saloia, isto é, tinha intuitivamente encontrado uma força vital de puro sentido poético, origem e sangue da própria luz, ter´´ivel e bela como tudo o que vive. Pela vida fora, constantemente me foi dado observar que a ignorância é portadora de uma intenção que ultrapassa a da sabedoria. Ora esta veemência característica da ignorância, isto é, do estado imediatamente anterior às primícias do conhecimento, perde sensìvelmente parte da sua potência à aproximação do conhecimento, e chega a desaparecer completamente depois do conhecimento, donde resulta que o conhecimento foi, afinal, tardio, ineficaz e estéril. Contudo é conhecimento.
Todo o saber é descontado no viver. Pelo conhecimento pode-se quando muito orientar-se a vida, mas nenhum conhecimento serve para viver.
Já outro tanto não acontece com as forças contidas na ignorância. Estas forças contidas na ignorância são verdadeiros luzeiros dos caminhos individuais. A ignorância de cada um é incomparàvelmente mais respeitável do que todo o conhecimento que lhe possa ser fornecido. Porque o conhecimento é fornecido e a ignorância tem como limites o próprio mistério individual. Na passagem da ignorância para o conhecimento pode perder-se, afinal, o principal, o próprio.
Bem o ouvides, eu não faço a apologia da ignorância nem o desprestígio da sabedoria, tão-sòmente me refiro que nas idades da ignorância existe uma força vital que não parece trespassável para as da sabedoria.
Há um ditado que diz: se a juventude soubesse e a velhice pudesse… ora a juventude é bem o sinónimo de ignorância e a velhice de sabedoria. O que importa é que as energias da ignorância não se estiolem na sabedoria. Ou melhor, que o conhecimento não seja tão usurpador que só se deixe trocar pelo total das energias que animam cada pessoa em estado de ignorância. Por mim, eu vejo vida na ignorância e morte no conhecimento. O conhecimento é colectivo, por conseguinte anónimo, ao passo que na ignorância estão ainda aquelas forças, as quais, se não revelam, pelo menos iluminam em volta a presença de cada qual neste mundo.
Entretanto desejo apresentar-vos dois exemplos que talvez indiquem melhor o que provàvelmente não chegaria a levar ao vosso conhecimento.
Todos sabem que existe na Europa ocidental uma arte que fez o seu aparecimento na Idade Média com a construção das catedrais góticas, iluminando as janelas com vidros de cores e transformando inteiramente os templos em visões reais da história sagrada e outros aspectos da vida quotidiana como se de facto sejam assuntos da mesma pertença. Esta arte conhecida por vitral, e que é uma arte independente da pintura como de qualquer outra expressão de arte, tem por função aproveitar a diferença de luz da atmosfera livre para um recinto fechado na intenção de ajudar a concentrar-se cada um colectiva e individualmente.
Desde o século XII até aos nossos dias, a arte do vitral seguiu determinados caminhos mantendo a sua função. Porém, apenas a função foi mantida. A sua intenção desde os séculos XII e XIII para cá, foi-se apagando a pouco e pouco até ficar exclusivamente reduzida a uma função. Isto é, quando nos séculos XII e XIII apenas se conhecia uma elementaríssima química de cores e de fornos de cozedura do vidro, os artífices desenhadores de vitrais supriam todasas faltas da técnica principiante com a sua alma de primitivos autênticos. Subordinados, por um lado, ao clero, e aos mestres da obra e por outro lado postos diante de uma técnica inteiramente por fazer, os vitralistas dos séculos XII e XIII estavam condenados a ter que tirar tudo de si próprios. Uma enérgica simplicidade, um grande carácter, um colorido ousado, silhuetas poderosíssimas, tais são as características que nos oferecem imediatamente os vitralistas do século XII.
Depois, com o andar dos tempos, a química esmerou-se, a técnica tornou-se infalível, mas os vitrais foram simultâneamente perdendo o seu vigor, a sua força o seu carácter. Tinha-se criado a arte do vitral mas perdera-se a poesia dos seus ousados e ignorantes precursores!
O outro exemplo é ainda tão nítido como este que acabo de vos mostrar, é o dos esmaltes de Limoges. Se a alguém já foi dado cotejar um esmalte de Limoges do século XI com outro do século XIII pode certamente reparar em que a alma falante dos esmaltes de Limoges do século XI foi totalmente substituída pelos brilhos químicos do século XIII.
Trouxe estes dois exemplos, não para provar que a técnica mata a poesia, mas porque presumo que a poesia, sendo pura criação, há-de constantemente criar também os seus próprios meios de expressão.
Quando Max Jacob diz: Aujourd’hui faire du génie avec des allumettes, é evidente que ele crê que com fósforos também se podem criar novos meios de expressão. Sobretudo, ele dá toda a importância ao génio, e os fósforos, na sua frase, são sinónimos de todas as artes e técnicas.
[…]

José de Almada Negreiros, Obras completas. V. Ensaios I, Lisboa: Editorial Estampa, 1971, pp. 115-121

quarta-feira, agosto 30, 2006

Prémio Nóbel Egípcio


O Prémio Nóbel é tantas vezes injustificadamente mal entregue. Em 1988, contudo, acertou-se na pessoa.
A imagem daqueles que ousam enfrentar o medo próprio e o medo dos outros.
Esta notícia do Público faz-nos pensar que hoje o Mundo ficou mais pobre. Resta-nos, como de costume, a esperança...

O escritor egípcio Naguib Mahfouz, prémio Nobel da Literatura em 1988, morreu hoje num hospital público do Cairo. O escritor estava hospitalizado desde o dia 16 de Julho.
Naguib Mahfouz, 94 anos, foi o primeiro e único escritor em língua árabe a ser galardoado com o prémio Nobel.Nascido no Cairo a 11 de Dezembro de 1911, Mahfouz escreveu meia centena de romances, entre os quais "A Viela de Midaq", editado em Portugal, e era considerado o intelectual mais célebre do Egipto.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Ser ex-Presidente

Tenho que vos apresentar uma parte de um artigo/entrevista feita ao ex-Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, e que saiu na edição última do Expresso. Não posso deixar de manifestar que as atitudes de uns e de outros para o que, a mal ou a bem, foi Presidente (goste-se ou não) para além de roçarem a falta de educação demonstram muito pouco profissionalismo. Rei morto Rei posto! Chateia-me o país sem memória com tantos sem coluna vertebral.
Nota-se hoje um certo alheamento, a roçar a desconsideração, face ao ex-Presidente. Foi o que aconteceu a 26 de Julho, na conferência proferida no Instituto de Defesa Nacional (IDN). Tratava-se de uma sessão para assinalar o 30.º aniversário da instituição e, ao mesmo tempo, encerrar o ano académico. Muito notado foi o facto de Jorge Sampaio, convidado para falar dos vinte anos da integração europeia de Portugal, ter à sua espera o responsável pelas relações públicas do IDN e não o seu director, João Marques de Almeida, que se limitou a recebê-lo no seu gabinete. Igualmente notada foi a escassez de público no auditório, como fez notar e lamentar na sua interpelação o prof. Adriano Moreira, sempre no seu jeito sábio e diplomático. Significativa foi ainda a ausência de qualquer canal de televisão. Na plateia estavam antigos colaboradores em Belém, como Carlos Gaspar, Luís Salgado de Matos e Paulouro das Neves, o amigo de sempre João Cravinho, alguns militares na reserva, o ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva, Figueiredo Lopes, e antigos colegas de curso, como o ex-embaixador Carvalho Faria e o jornalista Francisco Sarsfield Cabral. Longe vão os tempos em que o mesmo auditório se enchia de militares e de fumo dos cigarros até de madrugada, para as assembleias do MFA. Chamava-se então Centro de Sociologia Militar e viviam-se os dias «loucos» do chamado PREC.

Novos Planetas!


Afinal o Sistema Solar não é bem como pensávamos...agora estão aí Xena, Caronte e Ceres!

quarta-feira, agosto 09, 2006

Até de férias há quem utilize o verbo PESCAR

Hoje tenho que falar! Tenho que gritar... tenho que usar palavras tão sábias que me suplantam integralmente: Pudera-se fazer problema: onde há mais pescadores e mais modos e traças, de pescar, se no mar ou na terra? E é certo que na terra. não quero discorrer por eles, ainda que fora grande consolação para os peixes: basta fazer a comparação com a cana, pois é o instrumento do nosso caso. No mar, pescam as canas, na terra pescam as varas (e tanta sorte de varas): pescam as ginetas, pescam as bengalas, pescam os bastões e até os ceptros pescam, e pescam mais que todos, porque pescam cidades e reinos inteiros. Pois é possível que pescando os homens cousas de tanto peso, lhes não trema a mão e o braço?!

(Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes)