segunda-feira, julho 31, 2006

Nem percebo porquê

Ando aqui às voltas com algo no pensamento que me aflige há já muito tempo. A ideia geral de que existem pessoas boas e más e que às vezes se baralham essas qualidades, isto é, de que nem sempre somos bons e vice-versa.
Ocorreu-me escrever sobre isto hoje, nem sei ao certo porquê, mas calculo, apesar de não vos dizer.
Conheço algumas pessoas, das quais não sou próxima, que acariam em si muitas inimizades, que muitas vezes são cruéis, mas que das quais sou incapaz de ter algum tipo de desgostar. Como se as apreciasse, cada uma nas suas características muito específicas, enquanto seres humanos cheios de defeitos mas absolutamente geniais por isso mesmo. Como se houvessem pessoas quase vacinadas contra certos defeitos de certas pessoas.
E o que fazemos quando nos defrontamos com alguém cheio de defeitos e absolutamente adorável por isso e pelas suas imensas qualidades?
As suas palavras quase que nos enfeitiçam e as suas atitudes, muitas vezes condenáveis, ainda que nada de moralmente - em termos de senso comum sejam desprezíveis, deixarem de ter peso de desgosto.
Vá-se lá perceber a ironia do destino, parece-me agora, pelas minhas próprias palavras que de quem gosto mesmo, mesmo neste sentido abstrato de até rir com certos defeitos, são das pessoas coragem... sabem! aquelas que se ama ou se odeia mas que são transparentes como certos vidros. Isentas do peso tosco da falsidade.

quinta-feira, julho 27, 2006

No dia em que nasci...

Isaac Newton nasceu no mesmo dia que eu, ou melhor eu nasci no mesmo dia que ele. Como na minha pessoa não abunda a genialidade da mesma forma que neste britânico brilhou, e porque (após a descoberta deste facto) pesquisei um pouco sobre este cientista, vou utilizar as sua palavras que acho absolutamente deliciosas. Bem próprias de quem nasceu a 4 de Janeiro.
Reza a lenda que ao avaliar a sua carreira científica, Isaac Newton terá dito certa vez: "Tenho a impressão de ter sido uma criança a brincar à beira-mar, divertindo-me a descobrir uma pedrinha mais lisa ou uma concha mais bonita que as outras, enquanto o imenso oceano da verdade continuou misterioso diante dos meus olhos".

sexta-feira, julho 21, 2006

O Certo e o Errado...

A propósito do que está a acontecer entre Israel e o Líbano e, apesar de saber que os valores mais altos que se levantam ali não são só os da religião, deixo-vos palavras de Jonathan Swift: Nós temos a religião suficiente para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros.

quarta-feira, julho 19, 2006

Curioso como este Antropólogo, Cientista e Religioso, Padre Teilhard de Chardin, reflectiu sobre variados assuntos. As suas palavras hoje, como na altura, fazem todo o sentido:
"As things are now going it will not be long before we run full tilt into one another. Something will explode if we persist in trying to squeeze into our old tumble-down huts the material and spiritual forces that are henceforwared on the scale of a world.
A new domain of psychical expansion-that is what we lack. And it is staring us in the face if we would only raise our heads to look at it.
Peace through conquest, work in joy. These are waiting for us beyond the line where empires are setup against other empires, in an interior totalisation of the world upon itself, in the unanimous construction of a spirit of the earth."
Le Phénomène Humain - 1955

terça-feira, julho 18, 2006


A vida a Roxo e a Verde...
Ouvia um piano, tocado por um aprendiz de 12 anos. Hesitava aqui e ali, sabia-me bem esse som. Lembrava-me a inexperiência, a ingenuidade, o Verde.
Do Roxo ninguém se lembra esse, coloriu outros dias, outras mãos, outras teclas... esse perdeu-se, caiu. Era maduro demais.


segunda-feira, julho 17, 2006

A inteligência é quase inútil para quem não tem mais nada.
(ALEXIS CARREL)

Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.

(ÓSCAR WILDE)


sexta-feira, julho 14, 2006

CÂNTICO NEGRO

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

(JOSÉ RÉGIO)

sexta-feira, julho 07, 2006

O aborrecimento, esse triste tirano de todas as almas que pensam, contra o qual a sabedoria pode menos do que a loucura.
(GEORGE BUFFON)

segunda-feira, julho 03, 2006

O Futebol e os Negócios Estrangeiros!

Desculpem lá os mais críticos mas eu tenho que falar de futebol… então não é que está o país todo em êxtase dos feitos inacreditáveis do Ricardo e ninguém se importa muito com a mais ou menos dança de cadeiras no governo!

Eu por mim não me importo. E mais uma vez, apelo ao meu sentido de povo. Ora vejamos, no futebol ganha-se, no governo nem por isso. O nosso Ministro demissionário, quanto a mim teve um bom entendimento do que deveria ser a política externa portuguesa. Já sei que me vão dizer, como quase todos em Portugal, que só se manteve por teimosia do Sócrates, e que o seu comportamento adolescente já merecia alguma repreensão. Pois eu, apesar de acreditar que tal possa ter base real, sublinho que é importante um Ministro dos Negócios Estrangeiros que saiba bater na mesa, que coloque Portugal com uma posição definida, que saiba dizer não e sim. Freitas alé! alé!

Por falar em afirmações, deixem-me voltar a falar de futebol. Estou comovida, e não podia deixar de estar. A força dos fracos feitos fortes deixa-me estarrecida. Por isso, e futebóis à parte, fico muito feliz de saber enquanto portuguesa que podemos mais, seja no futebol, ou numa outra coisa qualquer, o que interessa é a superação, a esperança e o trabalho.

E já agora, para quem acha isto tudo um exagero, deixem as amarras, os fados e o pessimismo para trás e venham comemorar. Acima de tudo já valeu a pena. Até já houve quem tivesse aprendido a sambar.