quarta-feira, agosto 30, 2006

Prémio Nóbel Egípcio


O Prémio Nóbel é tantas vezes injustificadamente mal entregue. Em 1988, contudo, acertou-se na pessoa.
A imagem daqueles que ousam enfrentar o medo próprio e o medo dos outros.
Esta notícia do Público faz-nos pensar que hoje o Mundo ficou mais pobre. Resta-nos, como de costume, a esperança...

O escritor egípcio Naguib Mahfouz, prémio Nobel da Literatura em 1988, morreu hoje num hospital público do Cairo. O escritor estava hospitalizado desde o dia 16 de Julho.
Naguib Mahfouz, 94 anos, foi o primeiro e único escritor em língua árabe a ser galardoado com o prémio Nobel.Nascido no Cairo a 11 de Dezembro de 1911, Mahfouz escreveu meia centena de romances, entre os quais "A Viela de Midaq", editado em Portugal, e era considerado o intelectual mais célebre do Egipto.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Ser ex-Presidente

Tenho que vos apresentar uma parte de um artigo/entrevista feita ao ex-Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, e que saiu na edição última do Expresso. Não posso deixar de manifestar que as atitudes de uns e de outros para o que, a mal ou a bem, foi Presidente (goste-se ou não) para além de roçarem a falta de educação demonstram muito pouco profissionalismo. Rei morto Rei posto! Chateia-me o país sem memória com tantos sem coluna vertebral.
Nota-se hoje um certo alheamento, a roçar a desconsideração, face ao ex-Presidente. Foi o que aconteceu a 26 de Julho, na conferência proferida no Instituto de Defesa Nacional (IDN). Tratava-se de uma sessão para assinalar o 30.º aniversário da instituição e, ao mesmo tempo, encerrar o ano académico. Muito notado foi o facto de Jorge Sampaio, convidado para falar dos vinte anos da integração europeia de Portugal, ter à sua espera o responsável pelas relações públicas do IDN e não o seu director, João Marques de Almeida, que se limitou a recebê-lo no seu gabinete. Igualmente notada foi a escassez de público no auditório, como fez notar e lamentar na sua interpelação o prof. Adriano Moreira, sempre no seu jeito sábio e diplomático. Significativa foi ainda a ausência de qualquer canal de televisão. Na plateia estavam antigos colaboradores em Belém, como Carlos Gaspar, Luís Salgado de Matos e Paulouro das Neves, o amigo de sempre João Cravinho, alguns militares na reserva, o ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva, Figueiredo Lopes, e antigos colegas de curso, como o ex-embaixador Carvalho Faria e o jornalista Francisco Sarsfield Cabral. Longe vão os tempos em que o mesmo auditório se enchia de militares e de fumo dos cigarros até de madrugada, para as assembleias do MFA. Chamava-se então Centro de Sociologia Militar e viviam-se os dias «loucos» do chamado PREC.

Novos Planetas!


Afinal o Sistema Solar não é bem como pensávamos...agora estão aí Xena, Caronte e Ceres!

quarta-feira, agosto 09, 2006

Até de férias há quem utilize o verbo PESCAR

Hoje tenho que falar! Tenho que gritar... tenho que usar palavras tão sábias que me suplantam integralmente: Pudera-se fazer problema: onde há mais pescadores e mais modos e traças, de pescar, se no mar ou na terra? E é certo que na terra. não quero discorrer por eles, ainda que fora grande consolação para os peixes: basta fazer a comparação com a cana, pois é o instrumento do nosso caso. No mar, pescam as canas, na terra pescam as varas (e tanta sorte de varas): pescam as ginetas, pescam as bengalas, pescam os bastões e até os ceptros pescam, e pescam mais que todos, porque pescam cidades e reinos inteiros. Pois é possível que pescando os homens cousas de tanto peso, lhes não trema a mão e o braço?!

(Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes)

segunda-feira, agosto 07, 2006

Uma entrevista...

Fui chamada a atenção através de um e-mail para a entrevista dada pelo Embaixador Francisco Seixas da Costa a Maria João Avillez na revista Única do Expresso do último sábado. Fui ler e realmente tive que transcrever as duas últimas perguntas e respostas. Verdadeiramente já tinha uma opinião favorável a este Embaixador de carreira. Há tempos numa conferência coloquei-lhe uma questão à qual não fugiu, apesar de ser um pouco polémica. Já na altura impressionou-me o humanismo como falava do outro, daquele outro ser humano existente num qualquer lado. Sem os tão comuns laivos de "humanisticamente correcto" e da superioridade civilizacional. Impressionou-me a clareza, não muito vulgar a quem já foi político e permanece diplomata.
Quanto aos livros, como eu corroboro estas palavras, aproprio-me delas. As questões então:
E, consigo, há ainda que falar da vida, dos amigos, dos livros, das tertúlias...
Começo com os livros: uma tragédia! Nas estantes estão em dupla fila, ocupam mesas, empilham-se no chão. Não consigo ler todos, nem pensar nisso. Melhor que ler um livro, só o prazer de o comprar. A minha mulher diz que, se tivéssemos de regressar de repente a Lisboa, na nossa casa ou entrávamos nós ou os livros. Quanto aos amigos, embora os tenha, e bons, no Brasil, Lisboa fez-me alguma falta. A distância afecta-me a frequência da minha tertúlia, a Mesa 2 do «Procópio». É que eu sempre achei que, pelo facto de que esta vida são dois dias, devemos saber aproveitar bem as noites... Tenho cada vez mais necessidade de estar com os amigos e a família, precisamente porque os não gozo durante o tempo que estou fora. Criei muito bons amigos numa fase tardia da vida, tão bons como os mais antigos. E tenho a sorte de ter amigos fiéis, o que, em especial nos últimos anos, me deu uma fabulosa retaguarda de afectividade. Quanto à vida (ri), olhe, já concluí que é muito importante não ficarmos só sisudamente agarrados aos dossiês e às coisas chatas da profissão. É preciso saber dar um salto fora da rotina, ir beber um copo, jantar com a rapaziada, contar umas anedotas, ler blogues, mandar graças pela Internet. Tudo isto faz parte da minha vida, hoje talvez mais do que nunca.
O que é que ainda pede à vida?
Sou muito modesto: só peço tempo.